Controlo do apetite: Um poderoso aliado no combate a Obesidade. 1ª parte

O controlo do apetite torna-se um objectivo fundamental face a conseguir uma Nutrição Inteligente no combate à Obesidade. Nestes casos já não se trata só da qualidade da Nutrição do paciente obeso, sendo também a  quantidade o que vai garantir o sucesso (Nutrição saudável, adaptada e hipocalórica).

      Em relação ao controlo do apetite a maioria dos  pacientes obesos referiram ser um grande problema. Portanto, poder controlar esse apetite é prioritário numa abordagem integral da obesidade, tanto a nível psicológico como a nível médico.

Dada a importância desta questão iremos  esclarecer alguns conceitos assim como as bases fisiológicas do Apetite ( como-porque aparece o apetite e quais são os seus mecanismos reguladores ).

Primeiro, alguns Conceitos:

O apetite é um desejo de comer um determinado alimento  e que está incluído  num processo fisiológico-psicológico de pesquisa, aquisição e ingestão de nutrientes e que devemos diferenciá-lo de outros conceitos que fazem parte do nosso comportamento alimentar tais como

– Fome = sensações causadas pela diminuição dos depósitos de nutrientes necessários para a sobrevivência    dos seres vivos.

– Saciedade= estado afetivo alcançado quando a fome e o desejo de ingerir alimentos foram satisfeitos……          (aquela expressão comum ……” agora estou melhor ”).

– Apetite = como já mencionamos, é um desejo de comer. É um estado afetivo que é acompanhado pelo prazer  e não depende de uma necessidade.

Agora vamos conhecer os Mecanismos Reguladores do Apetite, um sistema neuro-fisiológico complexo e que para uma melhor perceção dos conceitos este post vai-se dividir em 2 partes com conteúdos que tentarei expressar de forma básica e compreensível para todos.

Bases Fisiológicas da Conduta Alimentar

Sabemos que o nosso corpo tem uma série de receptores neuronais que captam informações do exterior, neste caso relacionadas com a alimentação,  que depois são transformadas em estímulos nervosos que são enviados para o “disco rígido” do cérebro, que por sua vez decifra essas informações e ordena a resposta: aceitação ou rejeição; estímulo ou bloqueio.

Esses recetores neurossensoriais de informação externa serão, portanto, responsáveis pela escolha e consumo de alimentos, aceitando ou bloqueando a ingestão de alimentos.

Existem vários tipos desses recetores:

                       Visuais: a aparência e a cor dos alimentos causam-nos a sua aceitação ou rejeição.

   Olfativos: essenciais no nosso comportamento alimentar.  Localizam a comida, valorizam a palatabilidade (qualidade dos alimentos que os tornam mais agradável) e o estado de conservação dos alimentos.

Gosto: considerado o fator mais influente do nosso comportamento  alimentar por razões que todos   nós sabemos.

Uma vez decidida a ingestão, são ativados os reflexos de salivação, mastigação e deglutição que iniciam todo o processo de digestão dos alimentos.

Por outro lado, temos uma série de Fatores Regulatórios Internos que têm a mesma função de informar ao nosso “disco rígido” cerebral (localizado numa área chamada hipotálamo) que regula esse mecanismo complexo. Esses fatores são:

      1. Gastrointestinais:  sendo o mais importante a contração  rítmica gástrica que gera a sensação de fome.

      2. Metabólicos:

– Nível de Glicose no Sangue (Glicémia).

Nos momentos prévios ao início da sensação de fome há uma diminuição do nível da glicémia que informa da necessidade de ingerir alimentos.

– Índice Metabólico : série de processos metabólicos que induzem a ingestão de alimentos, tais como  a        oxidação  dos hidratos  de carbono  ou  a  inibição  do  metabolismo  dos  lípidos  que  vão  condicionar  respostas      hormonais  que estimulam  o  apetite  a partir  de umas pequenas proteínas localizadas no  hipotálamo   chamadas   péptidos.

     3 Endócrinos:

– Grelina, uma hormona produzida no estômago que estimula o apetite a curto e longo prazo.

–  Leptina, hormona que informa ao cérebro que  tem comida suficiente e cria uma sensação de plenitude.

– Hormonas tiroideias: estimulam a produção de Leptina e Insulina.

 Glucocorticóides: hormonas que aumentam a ingestão de alimentos.

4.  Cerebrais ou Neurotransmissores do próprio “disco rígido”

Para uma melhor compreensão do significado destes transmissores  devemos saber que os nossos estímulos nervosos são transmitidos através dos neurónios, mas que  entre eles há um pequeno espaço que os separa.

Para  garantir   transmissão  destes  estímulos  nervosos  de um neurónio para  outro,  existem  os  chamados      neurotransmissores  que  desempenham  o  papel  de  ” barcos ” que  transportam  as  informações  do final  de um  neurónio para o começo do seguinte.

Entre os neurotransmissores envolvidos nas “sensações alimentares” incluem-se:

 

  • Serotonina, com efeitos anorexigénios (redutores de apetite) especialmente para alimentos ricos em carbo-hidratos.

 

  • Noradrenalina que tem recetores que estimulam o apetite e que são aqueles em que a leptina atua para bloqueá-los e, assim, atingir uma diminuição do apetite.

 

  • Endocanabinoides, produzidos pelo nosso organismo , estão localizados no hipotálamo e estimulam o apetite.

Até aqui a primeira parte deste post.

Não esqueça: Aceitar + Aprender + Agir