Deprimido/a? Como os sentimentos mudam…

Comecemos por analisar algo que ocorre frequentemente:

Quem exerce a sua actividade profissional durante a semana e tem o fim de semana “livre”, como pensa que tende a sentir-se quando chega a 6ª feira à noite? E num domingo à tarde?

Geralmente, quando chega a 6ª feira à noite, existe um sentimento de cansaço, devido aos esforços realizados ao longo da semana. Não obstante, o nosso estado de espírito tende a ser positivo.

Contudo, quando chega o domingo à tarde, momento em que, tendencialmente se estará mais descansado do que na 6ª feira ao final do dia, não raro tendemos a sentirmo-nos de pior humor, mais preocupados, com um certo ar de desespero, tristeza ou resignação perante “o que nos espera…”

Num espaço de dois dias, podemos passar de alegres e com expectativas positivas a um estado de melancolia, tristeza, irritação ou outra emoção negativa. Contudo, se analisarmos objectivamente os factos, a realidade é que na 6ª feira estávamos mais cansados, dado o esforço de toda a semana intensa e ao domingo à tarde, estaríamos em melhores condições, tendo ainda algum tempo que poderíamos aproveitar para desfrutar ou realizar alguma tarefa que não é possível nos dias de semana.

O que acontece? O que nos leva a que nos sintamos, de forma geral, mais animados à 6ª feira? Não será o que transmitimos para nós próprios? “Que bom! Todo o fim de semana pela frente, até segunda não tenho de voltar ao trabalho, dois dias para mim…” e isso que dizemos, torna-nos bem-humorados! Pelo contrário, ao domingo à tarde, não raro tendemos a repetir frases do estilo: “Que chatice, amanhã é segunda feira outra vez…”, “Nunca mais chegam as férias…” … deste modo, dificilmente nos poderemos sentir bem!

Agora… páre por breves momentos e procure reflectir na seguinte expressão:

“Perturbam aos homens não as coisas, senão a opinião, que delas têm.” Epitecto (filósofo grego)

Tendo em conta o exposto e, ainda que, por vezes, nos possa parecer o contrário, ao reflectirmos na expressão do filósofo Epitecto, não será de estranhar se chegarmos à conclusão de que, não são os acontecimentos, mas as nossas percepções e pensamentos sobre estes acontecimentos que conduzem à nossa resposta emocional.

Assim sendo, temos:

 

ACONTECIMENTOS

 

Existem diversos acontecimentos

… positivos, negativos e neutros…

que estão a ocorrer a todo o momento.

PENSAMENTOS

 

Fazemos interpretações sobre esses acontecimentos, por meio de uma série de pensamentos que fluem continuamente através das nossas mentes, a que chamamos o nosso

“diálogo interno”.

SENTIMENTOS

 

A forma como pensamos ou interpretamos os acontecimentos, o significado que lhes atribuímos conduz a que tenhamos determinados sentimentos.

 

Portanto, há que estarmos atentos e conscientes do seguinte…

Mesmo que não consigamos mudar directamente a nossa disposição, conseguimos alterá-la, indirectamente, mudando aquilo que fazemos e aquilo em que pensamos. Ao agirmos e pensarmos de maneira diferente, podemos mesmo, começar a sentirmo-nos de forma diferente. Deste modo, alterar a maneira como pensamos é uma forma poderosa e confirmada de melhorar a nossa disposição. Quando as pessoas se sentem deprimidas, começam a entrar em diálogos internos negativos, isto dá-se porque o pensamento assume um viés selectivo negativo, como se estivéssemos a olhar através de um par de óculos escuros, tornando-nos mais propensos a pensar negativamente sobre a situação em que nos encontramos, sobre o mundo em geral, sobre nós próprios e o futuro.

É, pois, importante estarmos atentos, relativamente ao que estamos a pensar, reconhecer e examinar os pensamentos negativos. Por exemplo: imagine que estava com o humor deprimido e, ao caminhar pela rua, viu uma pessoa conhecida, que passou por si, mas não lhe falou. Se estiver a sentir-se “em baixo” é provável que interprete isso negativamente: “Eu devo ter feito algo de errado, não gosta de mim”. A sua mente ignora outras opções, tais como “pode estar muito ocupado/a” ou “deve ter algum problema que o/a está a preocupar”. O desafio, quando está deprimido/a, é dar um passo atrás e tornar-se atento/a ou consciente deste processo, de modo a poder descentrar-se do fluxo contínuo de pensamentos negativos que tende a ocorrer de forma automática e, gradualmente, desenvolver a capacidade de se envolver em estratégias mais construtivas.

Deste modo, da próxima vez que se sentir em baixo ou deprimido/a

  1.   Identifique e reconheça a disposição com que se sente
  2.   Pergunte a si próprio/a: “O que é que eu posso fazer hoje para me animar?” Escolha pelo menos uma actividade construtiva para distrair a sua atenção e ajudá-lo/a a sentir-se melhor (ex.: dar um passeio, dedicar-se a um passatempo que goste, encontrar-se com um amigo/a para almoçar, ir ver um filme…). Tenha em mente que, quando nos sentimos em baixo, a vontade para fazer alguma coisa, com frequência, fica comprometida, pelo que a acção, vem antes da motivação! Isto porque, ao começar a fazer uma actividade, pode dar por si a ficar absorvido/a e achá-la interessante, contribuindo assim para mudar o seu estado de ânimo
  3. Descubra o que é que o/a está a incomodar. Poderá ajudar falar sobre isso com outra pessoa ou explorar o sentimento através da escrita, procurando tentar desvendar os pensamentos por detrás do sentir-se deprimido.
  4.  Desafie ou questione a lógica, validade, realidade desses pensamentos: Quais são as evidências/ factos que sustentam os pensamentos negativos? Quais as que os colocam em causa? Qual pode ser uma explicação alternativa ou outra maneira de olhar para a situação? Qual é o efeito de continuar a acreditar nos meus pensamentos negativos? O que poderia acontecer se eu os alterasse? Se______[nome de um/a amigo/a] estivesse na situação e tivesse esse pensamento, o que é que eu lhe diria? Estas são algumas das questões que se pode colocar, após responder às mesmas, verifique se houve alguma, mesmo que ligeira, alteração nos seus sentimentos ou na sua intensidade
  5. Por fim, se estas medidas não tiverem sucesso ou se se encontra deprimido/a há algum tempo, procure ajuda profissional junto de um médico de família ou psiquiatra e/ou psicoterapeuta.

A Saúde Mental e Física, andam de mãos dadas! Fortaleça essa ligação!

É a Sua Qualidade de Vida que está em causa!