Desconfinamento progressivo: o que é normal sentir e o que fazer?

Nestes últimos tempos, as nossas vidas têm sido marcadas por mudanças, restrições e desafios pessoais e profissionais, significativos, que conduzem a diversas emoções e sentimentos que precisamos de gerir. O desconfinamento ocorrerá de forma gradual e tal não significa o fim do surto de COVID-19, pelo que, há cuidados que teremos de continuar a ter e, para muitos de nós, manter-se em casa, irá durar mais algum tempo. Assim, tendo em conta a situação actual em que vivemos…

 

PODEMOS SENTIR…

 

  • Dúvidas, incerteza, receios associados a voltar a estar fisicamente próximos das pessoas que prezamos e daquelas com que teremos de interagir presencialmente (por motivos de trabalho, tratar de assuntos pessoais, ou outros)
  • Saudades das actividades e do tempo passado de forma descontraída na companhia de familiares, amigos, colegas, …
  • Falta de andar na rua, de passear,… de forma despreocupada.
  • Falta das rotinas a que estávamos acostumados…
  • Falta de tudo aquilo que dávamos por garantido…
  • Sobrecarga e exaustão
  • Zanga e injustiça
  • Impaciência
  • Preocupações com o futuro… consequências com que teremos de lidar/ adaptações que teremos de fazer.

Estes sentimentos e desafios podem, por vezes, aumentar dependendo da situação em que cada um se encontra e têm repercussões na nossa saúde física e psicológica, tais como:

 

  • Diminuição da nossa motivação, vontade de fazer exercício e de comer saudavelmente;
  • Alterações na qualidade do sono;
  • Aumento dos sentimentos de ansiedade, frustração e falta de esperança.

 

Contudo, há que ter em mente que…

As nossas atitudes e comportamentos tem implicações na nossa saúde e na daqueles que nos rodeiam.

 

O QUE PODEMOS FAZER?

 

Aceitar a incerteza e a imprevisibilidade da situação e ter em mente que, por mais que seja difícil, não vai durar para sempre!

Aceitar e sentir a dor de não poder estar e sentir fisicamente familiares e amigos. Não deixa de ser doloroso, mas ainda assim, podemos olhar para as oportunidades que esta situação traz, inspirar-nos nas histórias de amizade e amor que emergem.…

Aumentar a nossa conexão social e relacional. As recomendações são no sentido de aumentar o distanciamento físico, o que não significa aumentar o distanciamento emocional! A ligação com os outros ajuda a sermos mais produtivos, resilientes, a combater o impacto do isolamento na saúde física e psicológica, melhorando o funcionamento cardiovascular, endócrino e do sistema imunitário.

Manter e optimizar o contacto à distância com familiares e amigos. Privilegie, os contactos através de videochamadas, permitem ver as expressões faciais da outra pessoa e aumentam a sensação de proximidade. Comunique, todos os dias, com pessoas com quem gosta de falar (por exemplo, tomem um café ou chá virtual a meio da manhã ou da tarde). É importante aceitar que nem todos os dias teremos a mesma disposição em termos do tempo a dedicar aos contactos com outros. Encontre o seu equilíbrio!

Ser criativo na forma como se realizam actividades em conjunto e à distância. Proponha a um amigo fazerem exercício físico em conjunto, joguem batalha naval, cozinhem o mesmo prato ao mesmo tempo, componham e cantem uma canção juntos. O que gostam de fazer e como podem adaptar essas actividades à comunicação à distância?

Informar-se sobre a existência de versões digitais dos eventos e actividades que costuma frequentar. Por exemplo, se costuma participar em serviços religiosos, procure por serviços religiosos em streaming. Se faz parte de um grupo comunitário local, porque não sugerir fazerem um encontro virtual? Se gosta de ir ao teatro ou a um concerto, procure oportunidades na televisão ou internet.

Procurar manter uma rotina, ainda que por vezes diferente daquela a que estava habituado/a. Fazer as refeições a horas e atribuir diferentes períodos do dia a diferentes tarefas é organizador e pode ajudá-lo a enfrentar o dia com maior tranquilidade. Se estiver em teletrabalho, é ainda fundamental fazer pausas e continuar a dedicar momentos à realização de actividades de lazer, assim como ajustar expectativas relativamente à sua produtividade.

Fazer uma Lista de Desejos das coisas que gostava de ver, ouvir e fazer durante o tempo que estiver em recolhimento – ver séries e filmes que tem adiado, um projecto que queria começar, algo que gostasse de aprender,…

Cultivar práticas de relaxamento e tranquilidade, que produzam emoções positivas – como conversar, pintar, ler, ouvir música, jogar um jogo. Faça uma tarefa de cada vez, com calma. Encontre um tempo só para si, de silêncio (para contemplar, meditar, …). Pense nas actividades que o relaxam: tomar banho? Beber um chá? Ouvir música? E faça-as. Encontrar e agradecer coisas positivas. Todos os dias tire alguns minutos para pensar em três coisas boas que lhe aconteceram, que sentiu ou experienciou e pelas quais se sente agradecido/a.

Escrever um diário. Experimente! Sente-se e pergunte a si próprio: Como me sinto? O que estou a pensar? O que tenho feito? Tente continuar a escrever, mesmo que inicialmente lhe pareça desconfortável. Também pode gravar um áudio. O diário não precisa de ser escrito nem de ser uma tarefa demorada, cinco minutos podem chegar. Escrever sobre os seus dias nesta situação extraordinária pode ajudá-lo a colocar a sua experiência em perspectiva e a ter um registo deste momento na sua história pessoal ao qual poderá regressar.

Cuidar de si. Faça exercício físico todos os dias, alimente-se de forma saudável. Se possível partilhe tarefas com as pessoas com quem estiver. Reserve tempo para si. Faça uma Lista de Desejos das coisas que gostava de ver, ouvir e fazer quando tiver sido ultrapassada a pandemia, quando puder regressar à sua rotina habitual e abraçar familiares e amigos.

Vigiar o seu estado emocional. Se se sente angustiado/a, sem esperança, se dá por si a pensar constantemente nesta situação e a imaginar os piores cenários, se tem sentimentos intensos de tristeza, zanga, irritabilidade, frustração ou se perdeu o interesse ou se sente incapaz de realizar as suas tarefas habituais, se dorme ou come mais ou menos do que o habitual, procure a ajuda de um/a Psicólogo/a.

 

Este é um período difícil, mas que, também, pode ter coisas boas! E, em conjunto, vamos superá-lo!

 

Texto adaptado a partir de informação disponibilizada pela OPP – Ordem dos Psicólogos Portugueses