Diários alimentares… porque é importante saber aquilo que comemos?

Como podemos traçar o caminho para onde vamos, se não tivermos identificado primeiro o ponto em que estamos? O mesmo se dá com o nosso comportamento e hábitos alimentares. Como podemos fazer mudanças, se desconhecermos ou apenas tivermos uma ideia geral do quê, quando e porque comemos?  Precisamos conhecer e estar o mais conscientes possível do ponto em que estamos, isto ajudar-nos-á a desenvolver objectivos específicos e progressivamente aumentar a nossa percepção de controlo e auto-eficácia relativamente ao que nos leva a comer e às decisões que podemos fazer neste sentido.

Como fazê-lo?

Para identificarmos de forma objectiva o que mudar, precisamos de registar e avaliar, com o maior rigor possível, aquilo que comemos. A estratégia mais indicada neste âmbito são os diários alimentares. Trata-se de uma forma de auto-monitorização, que nos permite termos informação mais precisa, sobre os antecedentes e consequentes dos comportamentos problema, comparativamente àquela que seria proporcionada por uma vaga lembrança do que fizemos.

Existe uma grande variedade de estratégias comportamentais que são utilizadas para ajudar as pessoas a estabelecerem um padrão alimentar mais adequado e saudável, sendo a auto-monitorização de particular importância. Deste modo, voltar a ganhar o controlo sobre o comportamento, requer que desmontemos os padrões alimentares desordenados que tendemos a repetir, geralmente, de forma inconsciente. Para tal importa, fazer uma auto-monitorização ou seja, realizar registos por escrito, também chamados de diários alimentares, a fim de saber o que consome diariamente. Neste sentido, é recomendado que, pelo menos durante uma semana, anote, diariamente, tudo aquilo que come e bebe. É fundamental registar no seu diário alimentar (pode usar uma folha com várias colunas): a hora e o local (onde ocorrem os episódios alimentares); acontecimentos que antecederam a ingestão; os alimentos e as bebidas ingeridas (todos!), bem como a sua quantidade; duração do episódio alimentar (registar a que horas inicia e termina a refeição, possibilita observar o tempo que dedicamos a comer); os pensamentos e sentimentos que teve antes, durante e depois de comer; acontecimentos posteriores à refeição.

Estes diários são utilizados para identificar os contextos específicos do acto de comer, o que nos leva a comer e em que circunstâncias, fornecem dados sobre quantas refeições realiza por dia, quanto tempo passa entre uma e outra (note-se que, um maior tempo entre refeições, pode estar relacionado com a presença de compulsão alimentar), permitem analisar as funções associadas ao acto de comer, por exemplo… Sente um pequeno vazio sempre à mesma hora? O que leva a que tal aconteça? Tem tendência para comer bolachas, doces quando está sozinho/a, um pouco cansado/a, deprimido/a, …? Após este processo de diagnóstico, poderá em conjunto com um terapeuta intervir sobre os padrões alimentares inadequados e desenvolver estratégias e comportamentos alternativos para recuperar o controle sobre a ingestão.

 

Tenha presente que, a ali­mentação é o conjunto de actividades que cada um de nós desenvolve para escolher e consumir os alimentos. Ao contrário da nutrição que escapa ao controlo humano, dado ser um processo biológico em que o organismo, utilizando os alimentos, assimila nutrientes para a realização de suas funções vitais, a alimentação, é condicionada pelas escolhas individuais! Ao fazermos uma alimentação saudável, equilibrada e diversificada estamos a possibilitar que o nosso organismo usufrua dos nutrientes adequados para o seu funcionamento, indispensável para a nossa saúde.

Ao desenvolver uma maior consciência de si, do que pensa, sente e faz, estará a aumentar os seus graus de liberdade para fazer escolhas saudáveis e poder usufruir de uma vida mais plena!

 

Não esqueça:  A Saúde é Atitude !