Mudança de Hábitos… Um Processo de Aprendizagem!

No post anterior abordámos a “vontade de mudar” e vimos que, este primeiro passo, é um ponto de onde partimos na direcção de um caminho. Neste sentido, consideramos ser importante saber como funciona qualquer processo de mudança de hábitos, em virtude de implicar novas aprendizagens. 

 

Podemos considerar que, em qualquer processo de aprendizagem, existem em 4 etapas:

 

      1  Incompetência inconsciente ou “o que não sei que não sei” – ainda não sabemos que há algo que temos de mudar. Não estamos conscientes de que não sabemos e nem sequer pensámos que pudesse ser importante e/ou necessário identificar determinadas capacidades ou conhecimentos (p. ex., a capacidade de identificar a sensação de saciedade).

 

       2  Incompetência consciente ou “aquilo que sei que não sei” – tomada de consciência! Sei que devo mudar, mas não sei como fazê-lo. Aqui, começa a aprendizagem! No momento em que percebemos que há algo que merece ser conhecido, pelo valor que nos pode aportar, pela sua natureza, finalidade ou utilidade.

É quando nos apercebemos de que há algo que desconhecemos, que por sua vez gera em nós a vontade de aprender, seja uma competência ou determinados conhecimentos, e começamos a fazer uso dos nossos recursos para pesquisar sobre o assunto (p. ex., eu preciso aprender a identificar a sensação de saciedade, de modo a parar de comer quando estiver satisfeito/a e não continuar a comer até me sentir mal física e emocionalmente).

 

       3  Competência consciente ou “o que sei que sei” – sei o que tenho de mudar e sei como fazê-lo. Esta etapa, requer esforço, consciência e atenção plena ao momento presente, o momento onde fazemos as nossas escolhas! Temos de praticar muito a nova competência que estamos a aprender, para que fique interiorizada.

Por este motivo, é necessário prestar toda a nossa atenção de forma bastante consciente (p. ex. se estivermos a comer, precisamos de nos concentrar, tanto quanto possível, nas nossas sensações, a fim de discernirmos qual o nível de saciedade que estamos a sentir no momento.

É por isso que é recomendado evitarmos ao máximo distrairmo-nos com outras atividades enquanto estamos a comer, particularmente quando ainda estamos a formar novos hábitos).

 

       4 Competência inconsciente ou “o que não sei que sei” – quando já ocorre natural e espontaneamente. Não estamos, propriamente, conscientes de que sabemos pôr em prática a mudança realizada. Esta quarta etapa, ocorre após muito treino e dedicação e quando o saber não exige esforço, isto porque o processo é internalizado, desenrola-se automaticamente (p. ex. pode falar, ouvir ou até mesmo pensar em outra coisa e em simultâneo ser capaz de identificar o quão cheio está o seu estômago).

 

Ao passarmos por estas fases no processo de aprendizagem, importa destacar que a segunda etapa é o momento em que nos damos conta de que algo não está bem e que, por isso, é preciso mudar. É o primeiro passo para a mudança! Sem isso, nada acontecerá.

 

Isto é o que acontece quando vamos a uma consulta pela primeira vez, ao fazê-lo, estamos a promover o próximo passo importante, que é tomar a decisão de mudar. A terceira etapa é expectável que seja a mais longa e a que exige mais trabalho em equipa, pois é nesta que começamos a aprender e a lançar as bases para a mudança de hábitos. O investimento e dedicação que fizermos nesta fase, poderá facilitar a manutenção dos novos hábitos, ao longo do tempo. Após estarem estabelecidos na nossa rotina diária, poderemos realizá-los quase sem pensar. É o ponto de viragem entre algo transitório e duradouro.

 

Voltando à “vontade de mudar”… há que ter em mente alguns aspectos importantes no processo:

 

  1. Requer esforço, empenho, determinação, isto é, trabalho pessoal

  2. Haverá dificuldades no caminho que poderão ser usadas como oportunidades para nos ajudar a crescer e a aprender.

  3. É fundamental assumirmos a responsabilidade pessoal no processo, o compromisso acima de tudo com nós mesmos e fortalecer a motivação.

  4. Lembrarmos que o sucesso não termina quando alcançamos os objetivos… reside na sua manutenção ao longo do tempo!